Alguém bate à porta.
- Fodeu!
*Algumas horas antes*
Forcei minha vista e tentei enxergar a linha do ônibus que vinha ao longe, meus olhos não são mais os mesmos. Um médico falou que eu precisava me submeter a uma cirurgia, arrancar os que eu tinha e colocar outros no lugar. Eu achei aquilo absurdo e não aceitei, mas agora eu tenho que me virar com tudo embaçado na minha frente.
O ônibus chegou barulhento como uma banda de garagem em uma manhã de domingo e pousou. Fui à porta da condução e perguntei ao motorista se ele passaria na Lagoa e ele respondeu positivamente.
Entrei.
O cheiro do ar condicionado adentrou minhas narinas sem cerimônia alguma. Sempre detestei esse odor. Dá-me náuseas.
Minha mãe mora na Lagoa há anos. É um lugar tranqüilo, esquecido tanto por Deus quanto pelo Diabo e lá finalmente ela pode viver em paz. Hoje é dia de visita, ela está meio doente e, desde a morte de meu pai, ela vive despretensiosamente. Às vezes eu me pego divagando como ela era na sua juventude há 140 anos.
Vejo o cobrador, um robô magro e feio, e pergunto o valor da passagem. Ele aponta para um painel que avisa:
R$ 10,00
FAVOR INSERIR CARTÃO AQUI
Dez reais? Há muito tempo eu não andava de ônibus. O que é que tem dentro desses propulsores? Diamantes? Isso é um absurdo! Um ultraje! Gritei com o robô e joguei moedas nele. Com dez reais eu posso ir e voltar para casa milhares de vezes com meu híbrido. Eu virei meu rosto e todos olhavam para mim, alguns concordavam com a cabeça, outros olhavam assustados.
Algumas pessoas levantaram e gritaram impropérios ao robô metido a besta. O robô virava a cabeça de um lado para o outro, sem saber o que responder. Suas respostas gravadas na memória não eram suficientes para responder a todos que lhe dirigiam a palavra. A confusão estava armada dentro do ônibus quando eu avistei a Lagoa e saí de lá o mais rápido que pude. O senhor que dirigia o ônibus não gostou nem um pouco da idéia de eu descer sem pagar, mas a situação ali dentro estava fora do controle e ele só queria que todos saíssem de dentro do ônibus para evitar estragos maiores. Corri na direção da casa de minha mãe e quando olhei para trás vi o ônibus tombado em chamas e pedaços do robô voavam por sobre as cabeças dos passageiros que celebravam aquela cena de destruição. Assustado, acelerei o passo e entrei na casa.
Fiquei um tempo com minha mãe assistindo televisão. É incrível a quantidade de porcarias que eles colocam na TV hoje em dia. No intervalo da programação, o plantão do jornal local avisou que uma linha de ônibus foi interrompida por passageiros furiosos com as taxas cobradas. Um jovem apareceu dando entrevista e ele falou que um cidadão tinha inspirado tudo.
Quando, do nada, surge dos céus as forças especiais de contenção da polícia e atacaram todos que estavam na rua, inclusive o cameraman, de forma violenta e assustadora. A câmera ainda captava as imagens quando o chefe de polícia pega pelo colarinho o garoto que estava a ser entrevistado e pergunta quem foi o safado que tinha começado aquilo tudo. O garoto repetiu o que pareceu ser a melhor descrição que alguém poderia ter feito de outra pessoa em toda história da humanidade. O chefe ao se levantar fez um sinal aos seus soldados.
Olhei para minha mãe e ela, com um olhar de reprovação, moveu sua cabeça de um lado para o outro.
*TOC TOC*
Alguém bate à porta.
FINAL ALTERNATIVO
Abro a porta e os soldados adentram o recinto com suas armas apontadas para a minha cabeça. Ajoelho no meio da sala, fecho os meus olhos e começo a rezar. Sinto uma dor profunda pela coronhada que eu levei e espero a morte chegar.
De repente a campanhia toca. Um dos soldados abre a porta e entra um emo bissexual com a camisa do NXZero e aciona a bomba que estava amarrada em sua cintura matando a todos, inclusive eu.
FIM
É impressionante como a história ficou excelente no último paragrafo. Continue assim.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
pau-a-pau com muito filme celebrado por aí afora.