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Estávamos chegando na estação de trem de Hauptbahnhof, depois de cansativas 10 horas em um trem pequeno, junto com dezenas de adolescentes, vindo da Polônia. A estação que se aproximava era linda e o trem já estava diminuindo a velocidade para dentro de minutos parar. Nós estávamos sonolentos e cansados, com exceção do Alessandro que conversava com uma americana. Harrisson levantou e começou a montar a mala nas costas.

Viajar como mochileiro não é pra qualquer um. As mochilas são extremamente práticas e cheias de parafernálias para tentar deixar a vida mais fácil. Mas colocar uma mochila de 60 litros nas costas não é das tarefas mais simples. Requer disposição, tempo e espaço. São muitos cliques para se fazer e muitas mexidas até que a mala esteja confortavelmente posicionada para que se possa andar boas distâncias.

Naquele momento não tínhamos tempo, espaço e, muito menos, disposição. Quando Harrisson conseguiu colocar inteiramente sua mochila nas costas, começamos a levantar, um a um, para fazer o mesmo. Mas lembre-se do espaço. Quanto mais o trem se aproximava da estação, lentamente deixando passar toda aquele horizonte de pedra de Berlim, mais pessoas se levantavam, preparando-se para sair, diminuindo ainda mais um espaço quase inexistente.

- Bora negada – disse Harrisson, olhando para os 3 atrapalhados – Se vocês não se apressarem o trem vai parar e não vamos conseguir descer a tempo.

Diferente das outras estações que estivemos, essa era a estação central da cidade de Berlim. Isso significa que o trem fica parado por pouquíssimos minutos, o suficiente para as pessoas descerem, e depois segue viagem para a próxima cidade/estação.

- Alessandro, porra Alessandro. Para de cantar a menina e vai pegar sua mala. – disse Harrisson preocupado com a possibilidade do vovô de Pato Branco não conseguir se aprontar a tempo.

O Alessandro é um caso a parte. Quase 10 anos mais velho que a maioria do grupo, tinha só uma grande dificuldade: Não falava outra língua além do português. Não que fôssemos experts em inglês ou em qualquer outra língua. Mas eu e o Harrisson arranhávamos bem o inglês, e o Guto falava fluentemente. A todo momento o Alessandro nos interpelava com perguntas ou expressões que seriam dignas de cenas de filmes. Era impressionante que até aquele momento a americana loirinha não tivesse mandado o cara à merda. Seu vocabulário saía de um “Hello” para um “How you doing?” em 5 segundos. A menina era uma guerreira.

- Você fica aí gastando “todo o seu inglês” com a loirinha e vai acabar ficando. Fica esperto. Tu tá na Alemanha, e aqui o seu “What is your name?” não vale muito – sacaneei o ilustríssimo vovô

O trem para.

As pessoas que ainda estavam sentadas começam a levantar e com o espaço restante fica quase impraticável a “dança da mochila”.

Harrisson é o primeiro a sair.

Confesso que estava atrapalhado. Mas fui o segundo a conseguir ficar pronto e me direcionei para a porta de saída.

De repente, percebi que as pessoas não estavam mais saindo. Na verdade as pessoas que levantaram pouco antes da parada do trem estavam se arrumando para a estação seguinte e não para essa que estávamos.

“Brasileiro é foda. Sempre atrasado” pensei comigo e comecei uma jornada cheia de “Excuse me”, “Thanks”, “I`m sorry”, “Danke”, etc, para chegar a porta de saída.

Logo atrás de mim o Guto, com seus 1,90m e tantos, seguia o mesmo protocolo, desviando dos alemães emputecidos por estarem sendo empurrados por brasileiros atrasados.

Muitos empurrões e pedidos de desculpas depois (imagine passar em um pequeno corredor, amontoado de gente, com mochilas de 50 kg nas costas) estávamos quase saindo.

A porta fecha.

Diferente do Brasil em que os trens/metrôs abrem todas as portas ao parar em uma estação, em Berlim a porta só é aberta quando se aperta um botão verde localizado no meio dela.

Sem titubear, o Harrisson, que já estava do lado de fora, aperta o botão para que a porta reabra permitindo que eu saia.

Quando olho para trás vejo que o Gutão estava preso entre uma senhora de vermelho e um adolescente com um iPod no último volume. A senhora parecia surda e o adolescente era… temporariamente. Não havia “Excuse, please” que fizesse a dupla abrir passagem.

A porta fecha novamente.

Em um impulso automático, estendo a mão, aperto o botãozinho verde e a porta volta a se abrir.

- Agiliza Guto. Empurra a velhinha com cuidado e o moleque sem. – gritei.

- E o Alessandro? – pergunta Guto.

- Ele tá vindo. Acho que ele ainda tá tentando entender o “Hello” da gringa. Mas tá bem atrás. – riu Harrisson – Ele vai ficar.

Escuto um grito. O que eu posso dizer? Um grito em alemão. É claro que eu não entendi.

Quando olho para a minha direita, paralelamente ao trem, vem em nossa direção um funcionário da estação, gesticulando e falando alto.

- O alemão tá falando contigo. – disse Harrisson afastando-se.

Volto novamente o rosto para frente, em direção a porta, e vejo o Guto empurrando a velhinha sem delicadeza e praticamente matando o adolescente com um encontrão digno de NBA.

Mais um do lado de fora.

O alemão de uniforme branco, quepe azul, calça azul e sapatos impecáveis continua vindo em nossa direção falando muito. Não dava para entender até aquele momento se o cara tava explicando alguma coisa ou brigando comigo.

Enquanto isso, dentro do trem, com toda a sua delicadeza típica, e com 50 kg nas costas, Alessandro, usando suas mais avançadas expressões em inglês, abria caminho para tentar sair. Ele estava longe.

E como era de se esperar a porta fecha novamente.

O grito do funcionário baixinho aumentou quando eu, pela segunda vez, apertei o botão e fiz a porta abrir. Na verdade vi o gordinho começar a acelerar o passo em minha direção, quase correndo. Nesse momento percebi que ele não estava querendo “bater papo”.

- Corre Alessandro. Corre! – gritou Guto enfiando a cabeça pra dentro do trem.

Em um sprint final, comovente, com mais um tranco no atordoado adolescente surdo, Alessandro conseguiu chegar na porta. Foi sensacional a evolução dos últimos metros, o calor no olhar, a impressão nítida que não ia dar. Alessandro estava criando uma história de vitória que poderia ser colocada na internet, do dia que ele quase ficou no trem. Mas não foi assim.

A porta havia se fechado imediatamente depois de ser aberta. O funcionário, ofegante, brandava palavras não tão bonitas em alemão para mim e apontava para porta.

Alessandro estava literalmente colado na porta, olhando incrédulo de dentro, pelo vidro, a minha “discussão” com o guardinha. Pouco antes de encostar em mim, ainda tive mais um ato heroico de apertar novamente o botão verde, na esperança infantil de funcionar mais uma vez. Claro que não funcionou.

O funcionário desesperado falava cada vez mais alto, mas sempre em alemão.

Quando o trem apitou, anunciando sua partida, consegui dizer:

- He is my friend. Please open the door!

A resposta veio do fundo do pulmão do troncudo funcionário e tenho certeza que não foi tão grave quanto eu lembro:

- Next Station!

O trem partiu.

Eu, Harrisson e Guto, de fora, olhando pasmos para o Alessandro, que perguntava “E agora?”.

- Vai pro hotel – gritei pro Alessandro – Não… vai pra Alexanderplatz. A gente se encontra lá. Você sabe onde fica o hotel?

- Sei – falou Alessandro enquanto o trem saía devagar rumo a próxima estação.

O segurança virou e foi embora, sem nem mais uma palavra, como se fosse do seu dia a dia esse tipo de situação.

Ficamos olhando para o trem que acelerava rumo ao incerto. 20 segundos se passaram de intenso silêncio. Nem todas aquelas pessoas que passavam apressadas conseguiam chamar nossa atenção.

Guto foi o primeiro a quebrá-lo:

- Porra, Meu Deus… e agora? O que a gente faz?

- Vocês eu não sei, mas eu to cansado. Vamo pro hotel? – perguntou Harrisson.

- O Alessandro sabe se cuidar. Ele é o mais velho. Bora pro hotel. – disse eu.

- Não cara. A gente não pode deixar ele sozinho. Ele não fala inglês. Vamo esperar ele aqui.

- Espera ele aí então. Eu e o Alexandre vamos pro hotel. Bora skinhead.

Saímos em direção a estação de metrô para nosso albergue. Atrás veio o Guto gesticulando e tentando convencer a gente que seria melhor esperar. Mas estávamos muito cansados e queríamos um bom banho e uma cama. Foda-se o Alessandro. Ele sabe chegar.

Recomeço

Depois de muito tempo sem passar por aqui eu voltei. Os últimos livros que li me compeliram a escrever alguma coisa. Nesse mesmo blog já escrevi algumas passagens da minha vida e gostei mutuo de fazê-lo.

A verdade é que colecionei, com as minhas viagens, uma serie de historias que eu adoro contar para os outros. Muitas delas por serem engracadas. Outras simplesmente pelo fato de se passarem em outro país, com outra cultura. Todas elas, na minha opinião, dignas de serem escritas. Já apreciadas é outra conversa.

Então está feito. Em breve o primeiro conto do CDA.

Um teste singelo de post usando o app da wordpress para o iPhone. Como ninguém lê essa merda mais, principalmente depois que os autores descobriram o twitter, esse post entra na categoria inutilidades.

Agora, na boa, poder se expressar em somente 140 caracteres é covardia. Isso aqui dá uma preguiça.

Aparentemente o app é muito bom, sinto falta apenas de alguns botões para edição de textos.

Bom. É isso. Até o ano que vem.

Atriz pornô passa mal durante tentativa de recorde de sexo

A atriz Sexy Cora queria chupar 200 pintos para quebrar recorde de sexo oral, mas passou mal com uma crise respiratória.

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Um detalhe. Em outra oportunidade, ela foi indiciada pela polícia alemã por exposição indecente ao tentar filmar uma cena de sexo em um parque em plena luz do dia.

Tadinha…

Nem sei  se continuarei escrevendo posts aqui. Mas nesse domingão de finais de campeonatos estaduais me deu uma vontade de postar algo.

Nesse tempão que fiquei sem postar estive fazendo reformulações importantes na minha vida. Tudo começou quando me dei conta que minha vida estava estagnada em meus plenos 28 anos.  Minha primeira reformulação foi profissional. Criei um foco novo para minha empresa. Praticamente recomeçei do zero. Agora é TETTO FOTOGRAFIA. Ok, o nome é o mesmo… acho que só eu entenderei o que quero dizer…

Daí resolvi ocupar meus horários noturnos: estou lecionando no fotografia no SENAC.

http://www.go.senac.br/ logo_senacx

Ok, minha vida profissional detonou meu tempo reservado para o ócio. Que bom!

Minha namorada tem me ajudado com muitos contatos. :P

Praticamente parei de ver TV, agora estou escutando muiiito mas muiiito mais música.

Beber para apreciar e não para alcoolizar. (Tá certo… eu já era um apreciador de bebidas antes. Mas agora mais ainda… ) Acaba que a gente gasta mais por isso, mas… vale a pena.

Até ganhei mais uma garrafa de Jack Daniel’s  do Alexandre (estou finalizando a anterior nesse momento – sem gelo). Valeu Migows!

Depois de uma merda de assalto onde eu e o Alexandre perdemos nossos N95, adquiri um E71 – Fantástico. Estou muito satisfeito.

É um brinquedinho muito legal… mas não chega nem aos pé do meu novo brinquedinho… e que brinquedo. Serve até para trabalhar.

E faz imagens fantásticas.

pq

Ah… ia me esquecendo: reformei o escritório do meu estúdio.

Mas no final de tudo estou muito feliz com tudo isso!

teias

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